{"id":1157,"date":"2019-08-06T09:13:10","date_gmt":"2019-08-06T12:13:10","guid":{"rendered":"http:\/\/marceloguerra.com.br\/?p=1157"},"modified":"2019-08-06T09:13:10","modified_gmt":"2019-08-06T12:13:10","slug":"fique-atento-ao-vao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/site.marceloguerra.com.br\/index.php\/2019\/08\/06\/fique-atento-ao-vao\/","title":{"rendered":"Fique atento ao v\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/site.marceloguerra.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/mind-the-gap-london2861506768682236644.jpg?resize=525%2C350&#038;ssl=1\" class=\"wp-image-1158 alignnone size-full\" width=\"525\" height=\"350\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/site.marceloguerra.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/mind-the-gap-london2861506768682236644.jpg?w=1620&amp;ssl=1 1620w, https:\/\/i0.wp.com\/site.marceloguerra.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/mind-the-gap-london2861506768682236644.jpg?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/site.marceloguerra.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/mind-the-gap-london2861506768682236644.jpg?resize=1024%2C683&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/site.marceloguerra.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/mind-the-gap-london2861506768682236644.jpg?resize=768%2C512&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/site.marceloguerra.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/mind-the-gap-london2861506768682236644.jpg?resize=1536%2C1024&amp;ssl=1 1536w\" sizes=\"auto, (max-width: 706px) 89vw, (max-width: 767px) 82vw, 740px\" \/><\/p>\n<p>Tem frases soltas que a gente escuta na rua que nos fazem refletir, \u00e0s vezes a gente voa no pensamento. O metr\u00f4 de Londres repete em cada esta\u00e7\u00e3o a j\u00e1 c\u00e9lebre frase \u201cMind the gap\u201d, que foi geralmente traduzida como \u201ccuidado com o espa\u00e7o entre o trem e a esta\u00e7\u00e3o\u201d. Gap \u00e9 melhor traduzido como v\u00e3o, mas como n\u00e3o usamos muito essa palavra, realmente fica mais expl\u00edcita a men\u00e7\u00e3o ao \u201cespa\u00e7o entre o trem e a esta\u00e7\u00e3o\u201d. J\u00e1 o verbo mind, tem mais o significado de estar atento, tomar consci\u00eancia, n\u00e3o sair estabanado do trem pensando na morte da bezerra e trope\u00e7ar na sa\u00edda.<br \/>\nBom, a minha reflex\u00e3o n\u00e3o foi sobre as in\u00fameras possibilidades de cair ao sair do trem, numa sucess\u00e3o imagin\u00e1ria de videocassetadas. Foi sobre os v\u00e3os que se apresentam nas nossas vidas. Momentos e situa\u00e7\u00f5es que s\u00e3o passageiros, mas muitas vezes, encaramos como permanentes. Uma doen\u00e7a \u00e9 um bom exemplo de v\u00e3o. Eu mesmo, quando tive c\u00e2ncer, vivenciei como se fosse algo definitivo, ainda que soubesse de todas as probabilidades de cura ou morte para ambos os tipos de c\u00e2ncer. Depois de tudo resolvido, vi que o medo foi muito maior do que a amea\u00e7a. Pelo menos o medo n\u00e3o me impediu de fazer o que tinha que ser feito. A doen\u00e7a pode ser o mais \u00f3bvio dos v\u00e3os, mas n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico.<br \/>\nDiferente do metr\u00f4, em que conseguimos enxergar o limite do trem e o da esta\u00e7\u00e3o, n\u00e3o temos vis\u00e3o clara desses limites nos v\u00e3os da vida, o que torna muito mais dif\u00edcil lidar com eles. Em um relacionamento voc\u00ea pode muito bem passar por um momento de v\u00e3o. Momentos de des\u00e2nimo, com vontade de ficar sozinho(a), em que podemos atribuir essa sensa\u00e7\u00e3o \u00e0 insatisfa\u00e7\u00e3o com a parceira ou parceiro. Confundimos o v\u00e3o com um estado permanente de coisas, e podemos tomar decis\u00f5es que depois nos causam arrependimentos.<br \/>\nE o v\u00e3o entre o que acreditamos saber e a realidade? Quantas vezes temos convic\u00e7\u00f5es profundas sobre um assunto que a realidade mostra que eram apenas um v\u00e3o? Muitas vezes essas convic\u00e7\u00f5es caem arrastando outras que se escoravam nelas, como um castelo de cartas do qual voc\u00ea retira uma carta bem da parte baixa. Ainda que esse desabamento de convic\u00e7\u00f5es cause frustra\u00e7\u00e3o e ang\u00fastia, ele \u00e9 melhor do que seguir acorrentado a uma convic\u00e7\u00e3o ilus\u00f3ria. E qual \u00e9 a vacina e o rem\u00e9dio para isso? Estar atento ao v\u00e3o.<br \/>\nO livro A Alma Imoral, do Nilton Bonder, fala do lugar que se torna estreito para a sua perman\u00eancia nele, como um v\u00e3o. Uma situa\u00e7\u00e3o que j\u00e1 foi boa e n\u00e3o \u00e9 mais, pode ser um v\u00e3o bem acorrentador, e imp\u00f5e muitas dificuldades para sair desse v\u00e3o. Barreiras aparentemente intranspon\u00edveis nos prendem ao v\u00e3o, que \u00e9 alimentado pelos nossos h\u00e1bitos, convic\u00e7\u00f5es, tradi\u00e7\u00f5es, frases formadoras de nossos pais que ecoam na nossa mente como se fossem nossas mesmo, al\u00e9m da nostalgia de um tempo bom quando a situa\u00e7\u00e3o era agrad\u00e1vel. Para sair desse v\u00e3o estreito, \u00e9 preciso estar realmente muito atento a ele. Porque esse tipo de v\u00e3o n\u00e3o provoca trope\u00e7\u00f5es, prefere agir como uma areia movedi\u00e7a. Ent\u00e3o, novamente, esteja atento ao v\u00e3o! Porque o v\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o seu destino final.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tem frases soltas que a gente escuta na rua que nos fazem refletir, \u00e0s vezes a gente voa no pensamento. 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