{"id":149,"date":"2009-06-16T11:30:17","date_gmt":"2009-06-16T14:30:17","guid":{"rendered":"http:\/\/marceloguerra.com.br\/?p=149"},"modified":"2009-06-16T11:30:17","modified_gmt":"2009-06-16T14:30:17","slug":"praticando-o-desapego","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/site.marceloguerra.com.br\/index.php\/2009\/06\/16\/praticando-o-desapego\/","title":{"rendered":"Praticando o Desapego"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/site.marceloguerra.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/okuribito.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"525\" height=\"328\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/site.marceloguerra.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/okuribito.jpg?resize=525%2C328&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-1305\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/site.marceloguerra.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/okuribito.jpg?resize=1024%2C640&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/site.marceloguerra.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/okuribito.jpg?resize=300%2C188&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/site.marceloguerra.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/okuribito.jpg?resize=768%2C480&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/site.marceloguerra.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/okuribito.jpg?w=1281&amp;ssl=1 1281w\" sizes=\"auto, (max-width: 706px) 89vw, (max-width: 767px) 82vw, 740px\" \/><\/a><figcaption>Cena do filme Partidas<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><br>A entrega do Oscar de melhor filme estrangeiro neste ano trouxe uma surpresa. O filme japon\u00eas Partidas (Departures \/Okuribito) levou a t\u00e3o desejada estatueta no lugar de outros filmes mais incensados pela cr\u00edtica. Mas afinal de contas, o que Partidas tem que o torna t\u00e3o especial? Trata-se da hist\u00f3ria de um homem na faixa dos 20 anos, casado, que toca violoncelo numa orquestra em T\u00f3quio, e esta \u00e9 dissolvida pelo patrocinador. Ele volta \u00e0 sua cidade natal com a sua mulher e consegue um emprego no qual ganha muito bem. O que o desagrada \u00e9 o novo trabalho em si: arrumar defuntos para serem cremados, numa cerim\u00f4nia em que a fam\u00edlia da pessoa morta est\u00e1 presente. \u00c0 medida em que ele persiste no emprego, come\u00e7a a perceber a import\u00e2ncia do que faz e a dignidade de honrar os mortos em sua despedida.<\/p>\n\n\n\n<p>Um outro filme, este feito para a TV, pela HBO, chamado Correr Riscos (Taking Chance) mostra um coronel que escolta o corpo de um soldado morto na guerra do Iraque para ser entregue a seus pais no interior, e tamb\u00e9m fala de despedir-se com dignidade.<\/p>\n\n\n\n<p>A morte faz parte da vida, mas muitas vezes a negamos, talvez pelo medo, talvez por estarmos ocupados demais tentando sobreviver. Quando entendemos a morte como a outra face da vida, esta toma um novo sentido. Podemos efetivamente viver &#8211; e n\u00e3o somente sobreviver. Geralmente a morte, principalmente de pessoas queridas, nos sacode de nossa zona de conforto, de uma forma mais ou menos intensa, provocando questionamentos sobre a vida, principalmente sobre aquelas quest\u00f5es que adiamos a resolu\u00e7\u00e3o. A morte nos lembra que tudo passa, que nada \u00e9 para sempre, e d\u00e1 uma no\u00e7\u00e3o real de que o tempo anda, e n\u00e3o espera.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 preciso saber dizer adeus a quem nos deixa, mesmo sabendo que o que est\u00e1 presente naquele instante \u00e9 um corpo sem vida. Isso real\u00e7a a dignidade da vida, n\u00e3o s\u00f3 daquele que morreu, mas de quem ainda vive.<\/p>\n\n\n\n<p>Dizer que a morte faz parte da vida nos faz pensar s\u00f3 no final, mas \u00e9 muito mais presente do que isso: a cada situa\u00e7\u00e3o em que precisamos terminar algo para come\u00e7ar uma nova etapa da vida, a morte est\u00e1 ali. Na \u00cdndia, a religi\u00e3o hindu tem uma trindade de deuses, formada por Brahma, Shiva e Vishnu. Brahma \u00e9 o criador de tudo, Shiva \u00e9 o destruidor e Vishnu o preservador. Parece meio sinistro um deus que destr\u00f3i, mas \u00e9 atrav\u00e9s da destrui\u00e7\u00e3o do que est\u00e1 gasto que h\u00e1 renova\u00e7\u00e3o, que \u00e9 poss\u00edvel nascer o novo. N\u00e3o \u00e0 toa, Shiva \u00e9 o deus mais adorado na \u00cdndia, tendo muito mais templos onde \u00e9 cultuado, do que os outros deuses da trindade hindu.<\/p>\n\n\n\n<p>Pode parecer absurdo o que eu vou dizer, mas integre a morte em sua vida para que voc\u00ea possa viver mais plenamente. Busque solu\u00e7\u00f5es para aqueles problemas que vem adiando, como se o tempo n\u00e3o passasse. Perceba o que j\u00e1 terminou em sua vida, e voc\u00ea n\u00e3o reconhece. Muitas vezes nos apegamos a situa\u00e7\u00f5es que j\u00e1 n\u00e3o fazem mais sentido, somente pela rotina. Podem ser situa\u00e7\u00f5es de trabalho, de relacionamento, de h\u00e1bitos. Viver tendo presente a perspectiva de que morreremos n\u00e3o deveria trazer medo, mas acentuar a responsabilidade que temos de fazer com que a nossa vida tenha o rumo que planejamos para ela. Assim, podemos ser dignos de um dia morrer conscientes de que buscamos (mas nem sempre conseguimos) realizar aquilo que \u00e9 necess\u00e1rio da melhor forma poss\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>Artigo originalmente publicado na revista online<a href=\"http:\/\/www.personare.com.br\/revista\/materia\/163\/praticando-o-desapego\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> Personare<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A entrega do Oscar de melhor filme estrangeiro neste ano trouxe uma surpresa. O filme japon\u00eas Partidas (Departures \/Okuribito) levou a t\u00e3o desejada estatueta no lugar de outros filmes mais incensados pela cr\u00edtica. Mas afinal de contas, o que Partidas tem que o torna t\u00e3o especial? 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