{"id":228,"date":"2010-05-05T09:54:57","date_gmt":"2010-05-05T12:54:57","guid":{"rendered":"http:\/\/marceloguerra.com.br\/?p=228"},"modified":"2010-05-05T09:54:57","modified_gmt":"2010-05-05T12:54:57","slug":"o-lixo-e-nossa-responsabilidade-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/site.marceloguerra.com.br\/index.php\/2010\/05\/05\/o-lixo-e-nossa-responsabilidade-social\/","title":{"rendered":"O lixo e nossa responsabilidade social"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/marceloguerra.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/lixo.jpg\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-229\" title=\"lixo\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/marceloguerra.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/lixo-300x208.jpg?resize=300%2C208\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"208\" \/><\/a><\/p>\n<p>Em 1982 eu morava em S\u00e3o Gon\u00e7alo e estudava em Niter\u00f3i, num col\u00e9gio bem no centro. Desde pequeno, S\u00e3o Gon\u00e7alo e Niter\u00f3i eram para mim como uma s\u00f3 cidade, dois lados bem diferentes da mesma cidade. Em S\u00e3o Gon\u00e7alo eu brincava na rua, trepava em \u00e1rvores (em casa ou na casa de algum colega), em Niter\u00f3i visitava minha tia Florinda, ia ao cinema e comprava roupas. S\u00e3o Gon\u00e7alo era \u00e1rido, mas tinha a divers\u00e3o, a molecagem. Niter\u00f3i tinha uma praia linda (s\u00f3 de ver) que o \u00f4nibus passava bem em frente, tinha \u00e1rvores nas ruas, tinha lojas bonitas. Quando eu fui estudar l\u00e1 e passei a conviver com os niteroienses, percebi que eram dois mundos bem diferentes, e fui tratado como\u00a0lixo\u00a0por morar em S\u00e3o Gon\u00e7alo. Se fosse hoje com essa onda de cotas no vestibular, deveria haver cota para suburbano. N\u00f3s gon\u00e7alenses, s\u00f3 t\u00ednhamos amigos entre os outros gon\u00e7alenses ou com os colegas que vinham do interior estudar em Niter\u00f3i. Al\u00e9m desses, numa turma de 100 alunos, talvez uns 3 niteroienses fossem nossos amigos. Namorar uma niteroiense, ent\u00e3o, sem chance! \u00c9ramos\u00a0lixo!<\/p>\n<p>Neste ano, houve uma greve de garis em Niter\u00f3i, e andar nas ruas do centro era insuport\u00e1vel, tudo fedia a v\u00f4mito! A gente desviava do\u00a0lixo\u00a0acumulado nas cal\u00e7adas pelos bares e restaurantes, as ruas cheias de papel, baga\u00e7o de cana (por causa do caldo de cana), restos de comida, muitas moscas, ratos.<\/p>\n<p>Por que essas lembran\u00e7as agora? A trag\u00e9dia no Morro do Bumba, no Cubango, um bairro de Niter\u00f3i, est\u00e1 sendo atribu\u00edda ao fato de terem constru\u00eddo as casas sobre um lix\u00e3o que foi desativado em 1982, este mesmo ano da greve. Fiquei pensando que valorizamos muito o impacto do aquecimento global, a que atribu\u00edmos responsabilidade maior aos governos, e falamos t\u00e3o pouco do\u00a0lixo, cuja responsabilidade maior \u00e9 nossa, \u00e9 minha e sua, na nossa casa, no nosso trabalho. No ver\u00e3o passado, a cidade de S\u00e3o Paulo sofreu com as chuvas que teimavam em cair todo dia e inundar boa parte da cidade. O que agravou as inunda\u00e7\u00f5es? O\u00a0lixo\u00a0jogado nas ruas. Aquele papelzinho de bala que algu\u00e9m n\u00e3o se importou de jogar no ch\u00e3o, aquele panfleto que eu peguei no sinal e joguei pela janela do carro quando o sinal abriu, aquele chiclete que perdeu o doce e eu cuspi no cantinho da cal\u00e7ada.<\/p>\n<p>Segunda-feira, dia 5 de abril, o Grande Rio sofreu com uma chuva de mais de 12 horas que alagou tudo! O que agravou a enchente? Novamente o\u00a0lixo\u00a0que n\u00e3o foi para a rua sozinho, que algu\u00e9m jogou ali.<\/p>\n<p>Ter\u00e7a-feira, 6 de abril, a chuva continua e o Morro do Bumba veio abaixo, um morro artificial, feito de\u00a0lixo! Eu voltei a me sentir niteroiense\/gon\u00e7alense (deixando de me sentir o\u00a0lixo\u00a0que me impuseram) e imaginei a dor que os moradores de l\u00e1 est\u00e3o sentindo. Al\u00e9m do desprezo dos governos, est\u00e1 a nossa responsabilidade. O\u00a0lixo\u00a0\u00e9 nossa responsabilidade, e \u00e9 preciso que modifiquemos urgentemente nossa forma de consumir, para que possamos mudar este quadro. No domingo foi P\u00e1scoa, muitas crian\u00e7as e adultos ganharam ovos de p\u00e1scoa e caixas de bombons. Um ovo de p\u00e1scoa vem envolvido em camadas de papel, sobre um copinho pl\u00e1stico, com um barbantinho, e por a\u00ed vai. Um pouco de chocolate em forma de casca de ovo envolto em muito\u00a0lixo!<\/p>\n<p>N\u00e3o sei como solucionar este problema do\u00a0lixo, mas precisamos todos pensar juntos em como cada um pode diminuir a sua produ\u00e7\u00e3o de\u00a0lixo. Estar consciente a cada vez que for comprar um produto que, para parecer mais fino, e consequentemente mais caro, est\u00e1 envolvido em v\u00e1rias camadas de embalagem (lixoassim que voc\u00ea o comprar). Precisamos pensar no destino do nosso\u00a0lixo\u00a0e em produzir menos\u00a0lixo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 1982 eu morava em S\u00e3o Gon\u00e7alo e estudava em Niter\u00f3i, num col\u00e9gio bem no centro. Desde pequeno, S\u00e3o Gon\u00e7alo e Niter\u00f3i eram para mim como uma s\u00f3 cidade, dois lados bem diferentes da mesma cidade. 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