{"id":673,"date":"2016-05-13T10:17:48","date_gmt":"2016-05-13T13:17:48","guid":{"rendered":"http:\/\/marceloguerra.com.br\/?p=673"},"modified":"2016-05-13T10:17:48","modified_gmt":"2016-05-13T13:17:48","slug":"o-teste-da-homeopatia-na-visao-de-um-fisico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/site.marceloguerra.com.br\/index.php\/2016\/05\/13\/o-teste-da-homeopatia-na-visao-de-um-fisico\/","title":{"rendered":"O Teste da Homeopatia &#8211; na vis\u00e3o de um f\u00edsico\u00a0"},"content":{"rendered":"<p>\u201cA evid\u00eancia obtida sob diferentes condi\u00e7\u00f5es experimentais n\u00e3o pode ser compreendida dentro de uma vis\u00e3o reduzida, mas deve ser tomada como complementar no sentido de que apenas a totalidade do fen\u00f4meno exaure as informa\u00e7\u00f5es acerca dos objetos\u201d (Niels Bohr)\u00a0<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/site.marceloguerra.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/wp-1463145444854.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" title=\"wp-1463145444854\" class=\"alignnone size-full\"  alt=\"image\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/site.marceloguerra.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/wp-1463145444854.jpg?w=525&#038;ssl=1\" \/><\/a><\/p>\n<p>Em 1913 Niels Bohr prop\u00f4s o mais did\u00e1tico modelo at\u00f4mico conhecido at\u00e9 hoje. Um n\u00facleo maci\u00e7o central e el\u00e9trons girando em torno dele em \u00f3rbitas circulares \u00e9 o que quase qualquer aluno ou professor de f\u00edsica diria que espelha melhor um \u00e1tomo. O fato de que anos depois o pr\u00f3prio Bohr sugeriu mudan\u00e7as dr\u00e1sticas nesse modelo e na constitui\u00e7\u00e3o b\u00e1sica da mat\u00e9ria n\u00e3o vem ao caso para a grande massa, mesmo porque os desenvolvimentos posteriores n\u00e3o s\u00e3o facilmente compreens\u00edveis. Como se pode, por exemplo, entender que um el\u00e9tron n\u00e3o est\u00e1, mas tem apenas uma chance de estar em tal lugar? Ou que antes de se manifestar, ele \u00e9 onda e part\u00edcula ao mesmo tempo? Como colocar isso num modelo did\u00e1tico? Do ponto de vista de um mundo cl\u00e1ssico e concreto, imposs\u00edvel. Essa ideia simplesmente n\u00e3o cabe. Para se provar qualquer coisa em rela\u00e7\u00e3o ao modelo at\u00f4mico qu\u00e2ntico, \u00e9 preciso assumir os pressupostos qu\u00e2nticos, admitindo a possibilidade da ess\u00eancia da mat\u00e9ria ser algo mais que o simples concreto e mec\u00e2nico.<br \/>\nNa verdade, em todos os setores da vida, cada um age conforme seus modelos de mundo que acabam gerando suas cren\u00e7as e seus comportamentos. As pessoas costumam se agrupar em torno de modelos comuns na religi\u00e3o, na pol\u00edtica, na ci\u00eancia e na vida e a menos que seus modelos sejam mais abertos e abrangentes, acham que \u00e9 o seu caminho que est\u00e1 certo e que o do vizinho est\u00e1 sempre errado. \u00c9 o que pode ocorrer nas diferen\u00e7as existentes entre alopatia e homeopatia se uma solu\u00e7\u00e3o transdisciplinar n\u00e3o for proposta. O descobridor desta \u00faltima, Samuel Hahnemann, admitia a exist\u00eancia do imaterial e defendeu a ideia de que seria esse imaterial que teria um grande efeito no ser humano que, por sua vez, tamb\u00e9m n\u00e3o seria limitado \u00e0 mat\u00e9ria. O imaterial do medicamento homeop\u00e1tico agiria, ent\u00e3o, pela lei dos semelhantes para induzir no paciente um estado din\u00e2mico de funcionamento chamado de sa\u00fade. Portanto, sem a considera\u00e7\u00e3o da possibilidade de exist\u00eancia do espiritual no ser humano, a ideia de Hahnemann n\u00e3o pode chegar a fazer pleno sentido, pois o medicamento homeop\u00e1tico conta com esse cen\u00e1rio como pressuposto.\u00a0<br \/>\nOra, como, ent\u00e3o, do ponto de vista do mecanicismo concreto provar o funcionamento da homeopatia? Poderia o materialista convicto pedir provas da exist\u00eancia do imaterial com a metodologia que, por princ\u00edpio, o exclui? \u00c9 por essa impossibilidade que surgem os fant\u00e1sticos pr\u00eamios de um milh\u00e3o de d\u00f3lares. \u00c9 interessante verificar que os argumentos dos c\u00e9ticos de renomadas universidades fazem muito eco com a incredulidade de fundamentalistas religiosos diante de experi\u00eancias espirituais. Para esses arrogantes donos da verdade, o espiritual, se um dia puder se comprovar sua exist\u00eancia, pertenceria a outro departamento, bem de acordo com o modelo separatista de Descartes.\u00a0<br \/>\nA Teoria do Caos, por outro lado, enfatiza que quanto mais os sistemas s\u00e3o abertos, mais suscept\u00edveis ficam aos chamados \u201cEfeitos Borboleta\u201d, ou seja, \u00e0 extrema sensibilidade a qualquer m\u00ednima interfer\u00eancia externa. \u00c9 o caso de um sistema meteorol\u00f3gico, por exemplo. E \u00e9, igualmente, o caso do ser humano considerado pela homeopatia de Hahnemann. Para os mecanicistas, s\u00f3 a medica\u00e7\u00e3o alop\u00e1tica ir\u00e1 funcionar, j\u00e1 que essa \u00e9 compat\u00edvel com o seu modelo de ci\u00eancia e de mundo. De outra forma, somente quando o ser humano se abre num processo cont\u00ednuo de evolu\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia, ele fica mais sens\u00edvel, suscept\u00edvel aos Efeitos Borboleta de qualquer tipo, afirmam os cientistas que trabalham com caos em psicologia transpessoal e sa\u00fade sist\u00eamica. Nessa regi\u00e3o de a\u00e7\u00e3o \u00e9 que as t\u00e9cnicas sutis da medicina funcionam e o paciente fica mais vulner\u00e1vel \u00e0s dosagens m\u00ednimas de medicamentos dinamizados, mais flex\u00edvel e mais criativo. \u00c9 a\u00ed que fica mais f\u00e1cil mudar padr\u00f5es de alimenta\u00e7\u00e3o, comportamento, relacionamento e outros que podem estar na origem dos desarranjos da sa\u00fade. N\u00e3o se prega, contudo, a extin\u00e7\u00e3o da alopatia nessa nova vis\u00e3o, da mesma forma como n\u00e3o se pode pensar na aboli\u00e7\u00e3o da f\u00edsica cl\u00e1ssica. Por\u00e9m, nessa abordagem mais ampla e transdisciplinar do ser humano, a alopatia deveria ser utilizada apenas em casos emergenciais, quando o sistema complexo pode ser reduzido. A sociedade, no entanto, age inconscientemente conforme o modelo no qual foi ensinada e formatada, e esse foi e ainda \u00e9 predominantemente mecanicista.\u00a0<br \/>\nSe mantiverem sua consci\u00eancia expandida, os adeptos da homeopatia n\u00e3o deveriam gastar energia em provar sua efic\u00e1cia com um teste final, mesmo porque da maneira que querem alguns alopatas, esse teste definitivo n\u00e3o existe. Deveriam, sim, manter o seu sistema de conhecimento sempre aberto, pois como dizem os especialistas em caos, s\u00f3 esse sistema aberto \u00e9 que, criativo e auto-organizado, pode prover as pistas necess\u00e1rias para a verdadeira evolu\u00e7\u00e3o do ser humano.\u00a0<\/p>\n<p>Ivan Amaral Guerrini<br \/>\nF\u00edsico, Professor Titular<br \/>\nDepartamento de F\u00edsica e Biof\u00edsica &#8211; IB UNESP &#8211; Botucatu &#8211; SP<br \/>\ne-mail:\u00a0<a href=\"mailto:guerrini@ibb.unesp.br\">guerrini@ibb.unesp.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cA evid\u00eancia obtida sob diferentes condi\u00e7\u00f5es experimentais n\u00e3o pode ser compreendida dentro de uma vis\u00e3o reduzida, mas deve ser tomada como complementar no sentido de que apenas a totalidade do fen\u00f4meno exaure as informa\u00e7\u00f5es acerca dos objetos\u201d (Niels Bohr)\u00a0 Em 1913 Niels Bohr prop\u00f4s o mais did\u00e1tico modelo at\u00f4mico conhecido at\u00e9 hoje. 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