{"id":809,"date":"2018-04-20T10:18:58","date_gmt":"2018-04-20T13:18:58","guid":{"rendered":"http:\/\/marceloguerra.com.br\/?p=809"},"modified":"2018-04-20T10:18:58","modified_gmt":"2018-04-20T13:18:58","slug":"sinergia-nas-plantas-medicinais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/site.marceloguerra.com.br\/index.php\/2018\/04\/20\/sinergia-nas-plantas-medicinais\/","title":{"rendered":"Sinergia nas plantas medicinais"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/site.marceloguerra.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/kawa-kawa.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-810\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/site.marceloguerra.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/kawa-kawa.jpg?resize=525%2C355&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"525\" height=\"355\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/site.marceloguerra.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/kawa-kawa.jpg?w=592&amp;ssl=1 592w, https:\/\/i0.wp.com\/site.marceloguerra.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/kawa-kawa.jpg?resize=300%2C203&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 525px) 100vw, 525px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a href=\"http:\/\/marceloguerra.com.br\">Marcelo Guerra<\/a><\/p>\n<p>As plantas medicinais t\u00eam sido usadas como tratamento de doen\u00e7as desde que o ser humano deixou de ser n\u00f4made e estabeleceu a agricultura. Muitas fazem parte de rituais de povos ind\u00edgenas e religi\u00f5es em diferentes lugares de mundo. O interesse pela fitoterapia, que \u00e9 como \u00e9 chamado o tratamento com plantas medicinais, vem crescendo exponencialmente desde o \u00faltimo s\u00e9culo, impulsionado pela busca de uma medicina que causasse menos efeitos colaterais que a alopatia.<\/p>\n<p>Boa parte dos rem\u00e9dios alop\u00e1ticos, por\u00e9m, s\u00e3o derivados de produtos extra\u00eddos de plantas medicinais. O \u00e1cido acetilsalic\u00edlico, subst\u00e2ncia ativa da Aspirina, \u00e9 um exemplo cl\u00e1ssico, extra\u00eddo de uma esp\u00e9cie de salgueiro. Esta \u00e9 a utilidade das plantas medicinais para a medicina alop\u00e1tica: fonte de subst\u00e2ncias ativas que devem ser isoladas, patenteadas e transformadas em comprimidos que v\u00e3o encher as prateleiras das drogarias.<\/p>\n<p>O fator complicador \u00e9 que as subst\u00e2ncias ativas, quando isoladas, geralmente provocam efeitos colaterais danosos \u00e0s pessoas. A fitoterapia faz uso das plantas em sua forma integral, pois h\u00e1 uma sinergia entre as subst\u00e2ncias que a comp\u00f5em que evita que uma fique em excesso no organismo, provocando um efeito desagrad\u00e1vel ou nocivo.<\/p>\n<p>Uma hist\u00f3ria que mostra a import\u00e2ncia da sinergia na fitoterapia \u00e9 o uso com sucesso da kawa-kawa. A kawa-kawa (Piper methisticum) \u00e9 uma planta comum no Hava\u00ed, e muito consumida pelos havaianos como uma bebida que causa relaxamento e sono. Ora, se h\u00e1 um tipo de rem\u00e9dio que n\u00f3s ocidentais adoramos, s\u00e3o aqueles que nos fazem relaxar. Come\u00e7ou-se a prescrever e vender kawa-kawa no mundo todo. Atrav\u00e9s de an\u00e1lise bioqu\u00edmica, descobriu-se a subst\u00e2ncia ativa que produzia o relaxamento e passou-se a produzir extratos de kawa-kawa que obtivessem o m\u00e1ximo dessa subst\u00e2ncia. Resultado: come\u00e7aram a aparecer pessoas com cirrose no f\u00edgado pelo uso da kawa-kawa. E por que os havaianos n\u00e3o t\u00eam mais cirrose do que a popula\u00e7\u00e3o que n\u00e3o consome kawa-kawa nos outros pa\u00edses? Bem, o processo modern\u00edssimo de extra\u00e7\u00e3o diminu\u00eda a concentra\u00e7\u00e3o de outras subst\u00e2ncias que s\u00e3o protetoras do f\u00edgado. Ou seja, o mal que uma subst\u00e2ncia provoca \u00e9 anulado por outra subst\u00e2ncia da mesma planta! O extrato padronizado implica num risco \u00e0 sa\u00fade muito maior do que o benef\u00edcio que ela provoca. Voltou-se a us\u00e1-la ent\u00e3o do modo mais primitivo, que \u00e9 a tintura m\u00e3e, que causa o relaxamento esperado sem provocar a destrui\u00e7\u00e3o do f\u00edgado.<\/p>\n<p>Este caso ilustra o risco que as plantas medicinais podem oferecer, mas mostra que este risco \u00e9 geralmente fruto de n\u00e3o se reconhecer a especificidade da fitoterapia e lidar com as plantas com os mesmos m\u00e9todos da alopatia. Quando elas s\u00e3o usadas segundo observa\u00e7\u00f5es de seu uso tradicional, dificilmente causam efeitos adversos. As plantas medicinais precisam ser mais estudadas, n\u00e3o de forma reducionista como a alopatia costuma fazer, mas de uma maneira interdisciplinar, por m\u00e9dicos, farmac\u00eauticos, antrop\u00f3logos e bi\u00f3logos, para que possam oferecer seus recursos terap\u00eauticos a muito mais pessoas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Marcelo Guerra As plantas medicinais t\u00eam sido usadas como tratamento de doen\u00e7as desde que o ser humano deixou de ser n\u00f4made e estabeleceu a agricultura. Muitas fazem parte de rituais de povos ind\u00edgenas e religi\u00f5es em diferentes lugares de mundo. 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